"Acho que nunca te disse isto, mas tu és a pessoa com o coração mais puro que alguma vez conheci.", disse-me antes de arrancar o meu sorriso e derramar-me pelo chão.
"Valoriza-te. Amas-a mais do que amas a ti. Seguras-te numa tentativa desesperada de salvar um amor que já não existe. Agarras-te com todas as tuas forças e apenas te magoas, como se não bastassem as feridas que ela deixou. Não salves algo que já morreu, salva o lado bonito da tua alma que ainda não desapareceu."
Sempre quis viver um amor como os da televisão. Daqueles que mexem com tudo, com o meu sangue, com as minhas entranhas e com o mundo à minha volta. Aqueles amores que fazem a realidade oscilar e nos impedem de distinguir aquilo que é real daquilo que são palpites mágicos de coração.
Sento-me numa praia, com grãos do que já fora a minha alma, de frente a um mar que transporta as minhas lágrimas nas suas ondas. O vento sereno bate-me na orelha e murmura vozes de ti. Foste embora sem aviso e deixaste-me à espera do teu regresso. Tenho estado só desde então, no aguardo da volta de alguém que partiu sem sequer olhar para trás. Os meus olhos inchados assemelham-se a uma serra de montanhas, que servem de berço à nascente de um rio que corre pelo meu rosto e desagua no mar. Rio esse, rico em pedaços de coração e borboletas já sem asas.
Sinto falta das noites em que gritava às estrelas o quanto te amava, de falar de ti ao cosmos para ele também se apaixonar por ti. Tenho tentado preencher o vazio que cá deixaste, infelizmente sem sucesso.
Os últimos meses foram passados a reconstruir os pedaços de mim que destruíste e deixaste por aí. Aceitei que, por mais que eu desejasse, jamais seria feliz contigo. Com isso cravado no meu peito, anseio com um sorriso ligeiramente torto de bochecha a bochecha, pela chegada de alguém que me olhe como nunca olhaste. Alguém com quem possa segurar a lua e encontrar emoção nas coisas simples e banais da vida, como fazer bolachas numa noite de estrelas cadentes. Continuo a ser o mesmo apaixonado de sempre, aquele que caminha aos saltos quando conhece alguém encantador e que chora quando vai embora sem aviso. Entre tantas estrelas que estavam só de passagem, achei uma que brilha tanto quanto uma constelação. Não tenho a certeza se isto se trata de apenas mais um dos dolorosos episódios de uma paixão que surge magicamente e apenas me destroça no final, até porque suspeito que ela já tenha ido para bem longe, para outra galáxia. Farei questão de segurar sempre uma rede, para que as estrelas que me encantam deixem de escapar do meu lado sem sequer se despedirem.
Uma estrela que passou pelo meu céu por uma noite e nunca mais voltou para dizer "Olá". Desejei um amor como dos filmes e deram-me um deles, que dura um sono de Sol, mas que vive comigo o resto da vida.
Podias ficar um pouco mais, está frio aí fora. Dar-te-ia as mãos e partilharíamos pedaços de nós ao calor da fogueira, atirando lenha de palavras para manter o fogo da conversa aceso. Dançaríamos ao som de músicas, daquelas que os nossos pais ouviam quando ainda viviam a juventude do amor. Tentaríamos replicar as receitas de doces dos nossos avós e mancharíamos a cozinha com tentativas falhadas. Choraríamos as nossas mágoas e limpar-te-ia as lágrimas, segurando-te com especial atenção à tua fragilidade.
Amores de estrelas cadentes, que trazem consigo o brilho para o céu escuro e logo logo, vão embora, deixando a escuridão apoderar-se novamente de tudo.

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