E se pudéssemos ter as estrelas?
Todas as flores do planeta, poderíamos tê-las?
Seríamos os donos do nosso pequeno mundo.
Cansarmo-nos, explodi-lo e construir o segundo.
E se criássemos o nosso significado de amor?
E se coloríssemos um universo sem cor?
Brincaríamos de Criador
e conceberíamos um mundo sem perda e dor.
Farias isso comigo?
Como teu amor, alma igual e amigo?
Nunca soube rimar, desajeitado.
Até encontrar-te, meu verso emparelhado.
Dançamos entre poema cruzado e interpolado,
como emoções de poeta lado a lado.
As velhinhas já murmuram sobre nós:
"Ainda ontem cantaram até ficarem sem voz."
"Sempre juntos, não saberão viver sós?"
Deixai-nos em paz, avós,
o nosso amor não vos cabe a vós.
E... se pudesses ter as estrelas?
Todas as flores do mundo, se pudesses tê-las.
A elas e tudo o que desejas.
Ainda desejarias ter-me a mim?
Quem diria que aquele que outrora se perdeu nos meandros das palavras, aquele que com a pena desenhava versos nascidos do abismo da alma, aquele que sentia o murmúrio do vento como quem ouve um poema, um dia viraria as costas àquilo que lhe era essência? Abandonei o papel e a caneta como quem abandona um amor não correspondido, sem saudade, sem olhar para trás. As palavras que sangraram dos meus dedos secaram a alma até ela se partir. Perdi o direito de ser poeta quando deixei de sonhar, e ao deixar de sonhar, calei o coração. Sequei-me de emoção como quem, no deserto, tenta fugir da sede. E assim, ao arrancar-me da poesia, criei uma ferida que sangra mais do que os versos que antes derramava. Julguei-me forte. Enganei-me. Que força há naquele que se nega a partilhar com o mundo o peso da sua dor? Que coragem existe em quem vira as costas aos seus sonhos, apenas por temer a dor de os seguir? Que valentia reside em quem se despoja da sua alma por medo de a sentir? E que cavaleiro será o...
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